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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Se os Estados Unidos atacarem a Síria, será a primeira vez que os norte-americanos entrarão em confronto com um país capaz de realizar retaliações no ciberespaço.O risco fica ainda maior devido à aliança da Síria com o Irã, que nos últimos anos reforçou sua capacidade de ação cibernética.


Ataques cibernéticos organizados já foram realizados pelo Exército Eletrônico Sírio (EES), um grupo de hackers leal ao governo do presidente sírio, Bashar al-Assad. Esses hackers já derrubaram sites de meios de comunicação e empresas da Internet dos EUA, e agora ameaçam intensificar suas ações como retaliação a eventuais bombardeios norte-americanos contra Damasco.


"É provável que o Exército Eletrônico Sírio faça algo em resposta, talvez com alguma assistência de grupos relacionados ao Irã", disse Richard Clarke, ex-consultor de contraterrorismo e cibersegurança da Casa Branca.


Pouco se sabe sobre os hackers por trás do EES, e não há indícios de que o grupo seja capaz de causar destruição em infraestruturas importantes.


Mas Michael Hayden, ex-diretor da Agência de Segurança Nacional dos EUA, disse que o EES "parece ser um preposto iraniano", e talvez tenha uma capacidade muito maior do que já exibiu.

Até agora, a ação mais efetiva do EES aconteceu em abril, quando o grupo invadiu a conta da agência Associated Press no Twitter e divulgou mensagens falsas sobre explosões na Casa Branca, o que derrubou por alguns instantes os mercados financeiros.


Em email na quarta-feira à Reuters, o EES disse que "nossos alvos serão diferentes" se os militares dos EUA atacarem as forças de Assad, numa retaliação ao suposto uso de armas químicas contra civis na semana passada.


"Tudo será possível se os EUA começarem ações militares hostis contra a Síria", disse o grupo em nota.

Questionado sobre a ameaça de terrorismo cibernético, o porta-voz do Departamento de Segurança Doméstica dos EUA, Peter Boogaard, disse que o governo está "acompanhando de perto a situação, colabora ativamente e partilha informações diariamente com parceiros dos setores público e privado".


Um porta-voz do Departamento de Defesa disse que não discutiria ameaças específicas, e outra fonte do Pentágono afirmou que até a noite de quarta-feira nenhuma atividade incomum havia sido detectada.

Irã mostra as garras

Especialistas em segurança cibernética dizem que o Irã melhorou sua capacidade de ação no mundo digital depois que os EUA usaram o vírus Stuxnet para atacar o programa nuclear iraniano.


Autoridades de inteligência norte-americanas atribuem a hackers patrocinados pelo Irã uma série de ataques de "negação de serviço distribuído" contra muitos sites de bancos dos EUA. Em ataques desse tipo, conhecidos pela sigla inglesa DDoS, milhares de computadores tentam acessar simultaneamente o site-alvo, sobrecarregando-o e tornando-o inacessível.


Em três ondas de ataques desde setembro, consumidores relataram instabilidades na conclusão de transações digitais em mais de 12 bancos, incluindo Wells Fargo, Citigroup, JPMorgan Chase e Bank of America. Os bancos já gastaram milhões de dólares para barrar os hackers e restaurarem os serviços.
info infográfico síria forças ocidentais Foto: AFP
info infográfico síria forças ocidentais
Foto: AFP

Pesquisadores dizem que o Irã também se infiltrou em companhias petrolíferas ocidentais, e que pode tentar destruir dados, embora isso possa intensificar o risco de retaliação por parte dos EUA.


As coisas no ciberespaço ficariam ainda mais complicadas se a Rússia, aliada do Irã e da Síria, interviesse. Ex-funcionários do governo Obama dizem que a Rússia, fornecedora de armas para a Síria, tem uma capacidade cibernética quase tão grande quanto a dos EUA.


Mesmo que o governo russo não aja diretamente, hackers privados do país se equiparam os chineses na sua capacidade e vontade de conduzir ataques "patrióticos". Especialistas cibernéticos dizem que os hackers russos já atacaram sites governamentais e privados da Estônia e Geórgia.

Os servidores do EES estão baseados na Rússia, e essa aliança pode se fortalecer se os acontecimentos na Síria ganharem rumos mais dramáticos, segundo Paul Ferguson, da empresa de segurança da Internet ID.

"Já temos uma situação geopolítica ruim", disse Ferguson. "Isso poderia contribuir com toda a narrativa que não queremos ver acontecer."


Nesta semana, em meio aos crescentes rumores sobre um ataque dos EUA à Síria, o Twitter, o Huffington Post e o The New York Times sofreram ataques cibernéticos reivindicados pelo EES.


O caso mais grave foi do NYT, cujo site ficou várias horas fora do ar. Especialistas em segurança disse que o tráfego estava sendo redirecionado para um servidor controlado pelo grupo sírio.


O EES planejava divulgar mensagens antiguerra no site do Times, mas o servidor caiu por excesso de tráfego, disse o grupo por email. Na noite de quarta-feira, alguns usuários continuavam sem acesso ao site NYTimes.com.


Os hackers pró-Assad invadiram o site do jornal norte-americano por meio de um provedor de serviços australiano, o MelbourneIT, que vende e administra nomes de domínios da Internet, num fato que, segundo especialistas, mostra a vulnerabilidade de grandes companhias que usam provedores externos.

Fonte: Terra

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Sabe qual a parcela da população com acesso à Internet? 2,4 bilhões de pessoas , de acordo com estudo feito no final de junho de 2012.

Isso significa que tudo o que temos presenciado nos últimos tempos – de novas eras de informação, revoluções industriais e comerciais, regimes derrubados a construções de sociedades mais embasadas em ideias de (utópica) transparência – foi resultado de um modelo de comunicação restrito a apenas 33% da população mundial, estimada em 7,1 bilhões .

Isso também significa que testemunhamos apenas a ponta do iceberg da nossa era – talvez para o desgosto de tantos governos que se viram forçados a adaptar os seus status quo para continuarem vivos.
Se tantos inegáveis avanços já foram vistos quando apenas 33% dos mais privilegiados ficaram interconectados pela Web e pelas redes sociais, já imaginou em que patamar se estará quando todos os 7 bilhões de habitantes tiverem um poder de comunicação semelhante?

Quem dará o primeiro passo?

Dentre as respostas que costumam saltar quando essa pergunta é lançada, praticamente todas apontam para um futuro mais justo como decorrência de uma sociedade com poderes de comunicação que desconheçam fronteiras, limites ou mesmo regras impostas por alguma minoria.
Por outro lado, isso também coloca a humanidade em uma espécie de paradoxo sócio-político: afinal, quem poderia guiar o mundo para essa segunda fase da era da informação? Os governantes (eleitos ou não), que já perceberam que a informação ao alcance de todos os deixa em permanente estado de xeque?

Para que, exatamente, os governos mundiais efetivamente investirão na democratização plena da Internet?

Para se verem questionados, acuados e sob uma pressão que a História jamais testemunhou antes?
Se não aos governos, que já deram tantos sinais de ineficiência e alienação, caberia à própria população garantir o acesso às outras 5 bilhões de pessoas no mundo, realmente transformando a realidade em algo profundamente transparente? Sob esse aspecto, a sociedade em si (seja por meio de ONGs ou de iniciativas de poucos e honrados heróis) tem se mostrado ainda mais ineficiente do que o governo – em grande parte por depender do dinheiro dele para sequer existir.

O primeiro passo para essa nova fase já está sendo dado – só que justamente pelos considerados como grandes vilões do mundo: os “impérios capitalistas”. Sendo mais preciso: o Facebook e o Google.

A fase dois que já começou
Recentemente, o Facebook anunciou o Internet.org – uma espécie de consórcio capitaneado por ela e composto, dentre outros, por Samsung, Qualcomm, Ericsson e Opera Software, com o objetivo de garantir acesso à Web aos outros 5 bilhões de habitantes. Como? Por meio da produção de smartphones de baixíssimo custo e alta qualidade, atendendo assim às comunidades mais isoladas do mundo.
Por sua vez, o Google anunciou em junho o lançamento de uma rede de balões sobre o hemisfério sul que, movidos a energia solar, emanam sinais 3G de forma gratuita. A iniciativa, batizada de Project Loon, ainda está em fase de experimento, mas já é um indício mais do que claro de que a batalha entre Facebook e Google está se dando em territórios ainda inexplorados.

Obviamente, nenhuma das duas empresas tem como foco primário transformar o mundo em um lugar melhor – ideais utópicos, afinal, não costumam ter muito espaço em bolsas de valores.
Ambas estão em busca do óbvio: mais usuários para trafegar pelas suas redes e buscadores, somando mais audiência e mais retorno financeiro por meio de publicidade. Mas, no caminho dessa busca pouco altruísta, elas podem realmente acabar transformando o mundo em um lugar muito mais transparente e justo do que é hoje.

A boa notícia é que essa corrida evolucionária social já começou – e que, por não ter nenhum governo à frente, dificilmente terá interesses escusos para freá-la.
A má notícia é que interesses, por assim dizer, não precisam ser escusos para gerarem danos. Afinal, se duas empresas conseguirem, por meio de suas iniciativas, colocar 5 bilhões de novos usuários na Internet, elas terão um poder que nenhuma outra organização, pública ou privada, jamais sonhou em ter.

É hora de apertar os cintos
Se há uma coisa que a História já deixou claro é que heróis de hoje facilmente se transformam em vilões de amanhã aos olhos do público. Assim, caso essas (hoje) louváveis iniciativas vinguem, dificilmente Google e Facebook conseguirão sustentar por muito tempo uma posição de “líderes supremos”. Essa capacidade de governança mundial, no entanto, é algo ainda a ser debatido em outro momento.

Fato é que, seja qual for o desenrolar dessa nova fase, uma coisa pode-se ter como certa: o mundo em geral (e o mercado digital em particular) deve testemunhar, já em um futuro próximo, o crescimento mais explosivo que o próprio capitalismo já testemunhou.

Fonte: IDG Now
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